Abertura Exposição: “FLUXOS - MIGUEL CHIKAOKA”

Sobre o evento
Exposição FLUXOS - MIGUEL CHIKAOKA
Vivendo e trabalhando em Belém desde 1980, Miguel é um dos fundadores da Fotoativa, criada nos anos 1980, e da Kamara Kó Fotografias, em 1991, iniciativa que possibilitou, vinte anos depois, em 2011, o surgimento da Kamara Kó Galeria, no bairro da Campina.
Há mais de quatro décadas, Miguel Chikaoka investiga a fotografia para além da câmera. Em sua trajetória como fotógrafo, educador e pesquisador, a imagem nunca esteve separada da experiência: nasce da luz, do corpo, da matéria, do ambiente e, sobretudo, das relações que se estabelecem durante o fazer.
É desse percurso que emerge Fluxos. A exposição reúne trabalhos, experimentos e situações que atravessam diferentes momentos dessa pesquisa. Fotografias, projeções, tecidos, sementes, pigmentos, água, palavras e dispositivos ópticos criam relações entre si e com a presença de quem visitar a mostra.
Essa maneira de pensar e fazer também aponta para o que Miguel chama de Pedagogia dos Fluxos: uma prática construída no encontro entre arte e educação, em que conhecer é compartilhar saberes, criando condições para observar, experimentar, relacionar e descobrir. A luz torna-se matéria de investigação; uma folha, superfície de impressão; uma câmera obscura, experiência sobre o nascimento da imagem; um quintal, lugar de aprendizagem e criação coletiva.
Em Fluxos, essa pedagogia ganha dimensão expositiva. O visitante é convidado a construir relações entre imagens e pensamentos, presenças e trocas, águas, florestas, céus, imanência e gêneses. São campos que se aproximam, se atravessam e se transformam.
A exposição torna visíveis processos, interage com o espaço e com as pessoas, refletindo a possibilidade de devolver à imagem algo anterior ao excesso de imagens: o tempo de olhar, perceber e estar presente.
PERCURSOS E EXPERIÊNCIAS
Os fluxos da exposição começaram antes dela e continuam para além das galerias. As experiências que marcam a exposição aproximam procedimentos fotográficos, técnicas de impressão, pigmentos naturais, dispositivos ópticos e experimentações com matérias orgânicas, água, luz e movimento.
O tataki-zomé transfere para tecidos os pigmentos de folhas e outros elementos vegetais; o jenipapo associado ao carvão produz diferentes densidades e inscrições; câmeras obscuras fazem a paisagem exterior atravessar a arquitetura e surgir, em tempo real, dentro da galeria. Em outras experiências, água, luz e movimento produzem reflexos e vibrações que modificam continuamente aquilo que se vê.
Nenhum desses procedimentos existe isoladamente. Matéria, imagem, paisagem, transparência, sombra, tempo e presença humana se encontram e se transformam. O que está fora entra; aquilo que parecia imóvel muda; uma mesma paisagem pode surgir de diferentes maneiras.
Essas experiências não pretendem explicar a natureza nem representá-la à distância. Nascem de uma relação de atenção com seus ciclos, matérias e transformações. Por isso, florestas, águas e céus não funcionam apenas como temas: participam da própria construção da mostra.
Ao reunir procedimentos tão diversos, Fluxos — Miguel Chikaoka propõe uma experiência sensorial e relacional. Cada trabalho preserva sua singularidade, mas permanece aberto ao que acontece ao redor. A exposição se faz nesses atravessamentos: entre o visível e o invisível, o dentro e o fora, a matéria e a luz, a experiência individual e aquilo que só pode nascer da troca.
SERVIÇO
Centro Cultural Banco da Amazônia
Endereço: Avenida Presidente Vargas, 800, Campina, Belém
Galerias 2 e 3
Terça a Sexta - Feira - 10h00 as 16h00
Sábado, domingo e feriado - 10h00 as 14h00
Entrada: gratuita.
E-mail: centrocultural@basa.com.br
Local
Centro Cultural Banco da Amazônia - Av. Pres. Vargas - Campina, Belém - PA, Brasil
Organizador
Geraldo Monteiro
Centro Cultural Banco da Amazônia